Mas, procurando um livro dei com outro da mesma autora, uma das minhas favoritas, talvez por pertencermos à mesma geração...
E, folheando as páginas já lidas desse livro,...parei nesta que diz assim:

Foto de Marcus Steinmeyer
" A mulher que amou Ralph era a mesma que amou Cat e sei que será dificil compreender, para quem o não tenha vivido, que amou do mesmo modo um e outra. Que não houve grandes fiferenças no que fazíamos. Que a fisiologia não determinou nunca a mecânica amorosa. Que eu nasci pessoa, e amei pessoas.
Quando estava com Cat, uma parte de mim desagregava-se em atómos minúsculos. Diluía-me e transformava-me em fogo liquido para me fundir com as suas entranhas, transportada por ondas de lava.
Estendia-me para além de mim mesma, ultrapassando limites fisicos e quimicos. Com Ralph, pelo contrário, as coisas estavam sob controlo. Os dois, coordenados, sincronizados, com movimentos bruscos e precisos, avançavamos ao mesmo ritmo marcial em direcção a uma meta comum, como numa competição desportiva.
Ela propunha, ele impunha-se. Ela moldava-me ao seu gosto. Ele transformava-me numa contorcionista, mu,a equilibrista, numa recordista.Ela era mais profunda, ele mais aventureiro. Ela era perfeccionista e esmerada; a ele sobrava-lhe energia. Ela era lençóis lavados; ele, preservativos usados. Ela avançava, ele investia.
Mas a sua pele, a dela, não era comparável. Bastava acariciá-la para sentir prazer. Ele não contava com aquela vantagem."
Lucia Etexabarria
Excerto do livro - Beatriz e os Corpos Celestes

4 comentários:
AMAR PESSOAS É ISSO ... É SENTIR-SE BEM COM O SEXO OPOSTO E COM PESSOAS DO SEU PRÓPRIO SEXO...TRATA-SE DE MAIS UMA VARIANTE AO JÁ PADRONIZADO AMOR HETERO.
GOSTEI MUITO DESSA DESCRIÇÃO,A FORMA COMO ELA,A MULHER DO RALPH SE DAVA BEM COM ELE MAS TAMBÉM COM CAT.
EU ESTOU A PRECISAR DE FAZER ALGUMAS LEITURAS...URGENTEMENTE,FAZ-ME IMENSA FALTA!!!
BEIJO AMIGO
bela escolha
"Que eu nasci pessoa, e amei pessoas"
jocas maradas de sentires
Olá, bela leitura....Espectacular....
Beijos
Bem, o texto é pequeno demais para que eu o possa comentar e além disso a temática do amor entre mulheres é uma temática que se presta a que o nosso juízo não se desenvolva segundo critérios estritamente literários.
Seja como for, o excerto que nos revelou consubstancia uma escrita de qualidade infinitamente superior àquele poema horrível de Irene Lisboa que foi elogiar no blogue da minha blogamiga Xanax e que me trouxe até aqui.
São insondáveis os desígnios da Providência. Talvez Irene Lisboa tivesse escrito aquele poema medonho sobre os ralos da noite, para que ele fosse publicado no XANAX e, através dele, eu chegasse aqui.
Gostei do seu blogue.
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